Quando a gente faz 30

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Dizem que quando a gente faz aniversário é que o nosso ano começa de verdade. Nada de réveillon. A não ser que você tenha nascido quando todo mundo comemorava mais um ano novo. É no dia que nascemos que teríamos que fazer aquela análise anual de como estamos levando a vida e definir o que queremos para os próximos 365 dias.

Esse ano, pela segunda vez, passei o meu aniversário longe de casa. Bem longe. Ano passado comemorei meus 29 no Canadá, fazendo meu intercâmbio. E esse ano fiz 30 em Munique, numa viagem que ainda vai render muitos posts por aqui, e que me fez muito feliz #saudadesalemanha (;

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Há alguns meses comecei a pensar o que esse número representava pra mim. Porque a gente sabe que fazer 30 pra uma mulher tem um peso diferente. Acabou os vinte. Nunca mais direi, tenho vinte e (três pontinhos). Engraçado que quando a gente coloca os pensamentos em voz alta ou nesse caso, aqui no post, tudo parece ser uma grande bobagem na verdade. Não é porque eu fiz 30 que algo vai mudar. Ou vai?

No meu caso, algo mudou sim. Mas claro que não foi pelo fato de eu fazer 30 anos. Talvez seja só sinal de amadurecimento mesmo. O fato é que comecei a fazer uma análise de como andava minha vida, num exercício de autoconhecimento, sabe? Comecei a pensar no que estava bom, e o no que não estava me deixando satisfeita. Na maioria dos “setores” tudo estava em perfeita ordem, mas eu mesma, lá fundo, não estava me sentindo realizada.

A impressão era de que eu estava me afastando de mim mesma, sabe? Buscando coisas que pra maioria seria o certo a fazer ou bacana de conquistar, mas que pra mim não fazia sentido, não estava me fazendo feliz. Esses dias li uma reportagem na revista Vida Simples que falava sobre a importância de relembrar quem éramos quando crianças. Um trecho em específico me chamou a atenção: “A gente muda e pensa que está mais feliz. Daí vai ler algo do passado, de quando era criança, e descobre que mudou para ser o que já era, voltou para o seu coração”. Interessante, né?

Muitas vezes acabamos fazendo coisas porque todo mundo está fazendo e nem ao menos nos perguntamos se aquilo realmente representa o nosso desejo de verdade. E esse desejo pode ser uma faculdade, um emprego, e até mesmo um filho. Pra ser feliz não existe receita de bolo. Cada um tem que encontrar a sua forma. Por isso, é super importante parar e analisar as suas metas de vida:  elas são um desejo genuíno seu ou, simplesmente, é o que todo mundo espera de você?

Falando do meu caso, pessoalmente, comecei a perceber que trabalhar com moda e estar em contato com este mundo estava me tornando uma pessoa consumista. Me pegava desejando coisas que não fariam diferença na minha vida. Me frustava com coisas que não faziam sentido. O problema é que estava focando nas coisas erradas.

Eu sempre gostei de me vestir bem, de ter coisas boas, não há nenhum problema nisso. O problema é que eu estava exagerando. Por ter o blog coloquei na cabeça que sempre precisava ter aquela peça/tendência pra mostrar pra vocês. Comprava, usava uma vez pra fazer o look do dia e ela ficava lá, parada. Isso me dava uma angústia! Afinal, estava gastando dinheiro em algo que não tinha a ver comigo só pra mostrar um look bonito por aqui. Isso não faz nenhum sentido, né? Ainda mais que sempre bati na tecla do estilo pessoal, de só vestir o que te faz se sentir bem. Pois é, mordi a língua. Enquanto isso meu guarda-roupa ficava cada dia mais lotado.

Se o seu guarda-roupa é lotado de roupas que você super usa, ok. O problema é que nem sempre é o que acontece. Na maioria das vezes usamos muito pouco do que temos e apesar de não ter espaço pra mais nada, ainda sentimos aquela sensação de não termos nada pra usar.

E esse comportamento vai além do guarda-roupa. A gente guarda tralhas e cacarecos que nunca usamos, mas que estão ali, acumulando energia e que não significam nada.

Eu estava muito frustada com isso, não aguentava mais gastar dinheiro em coisas que não faziam sentido pra mim. Queria focar mais no que eu amava fazer e não perder tempo com desejos sem importância.

Foi quando eu encontrei o conceito de armário-cápsula e o minimalismo. Já ouviram falar? Basicamente é ter somente o que você usa de verdade, o que te faz feliz, o que você ama. Ter menos. Simplificar. Liberar espaço. Focar naquilo que faz mais sentido na sua vida.

Vocês ainda vão ouvir falar muito sobre isso porque aqui, e também no meu novo blog, que estou construindo.

Só queria deixar essa minha nova fase registrada aqui. Afinal, o Moça Fresca é uma extensão da minha vida. Os posts sobre moda vão continuar, mas com um novo foco, buscando sempre o estilo pessoal com consumo consciente. Porque pra se vestir bem não é preciso ter um armário lotado de coisas que você não usa.

Se você chegou até aqui, obrigada! E se os 30 também fizeram você enxergar algo diferente, comenta por aqui? Vamos dividir experiências!

Um beijo, 

Nati

comentário(s) via facebook

30 comentários

  1. Camila

    Nati, parabéns pelos 30, pela reflexão e pela sua busca. Meus 30 me deixaram em pânico (juro que não achava que isso fosse acontecer) mas a minha meia noite foi apavorante! Eu chorei por uma meia hora consecutiva pensando onde eu estava, onde queria chegar, como ia fazer… me senti frustrada pois vi que varias das metas que eu tracei nos meus 20 eu não tinha conquistado, algumas eu não cheguei nem perto e que desespero que isso da! Demorei por volta de um mês para me reorganizar, refazer metas e estratégias, acho que eu preciso disso para viver e dar sentido para minha vida. Mas, confesso que os 30 me bagunçaram bastante, as vezes me pego bem perdida, mas tem uma frase que diz que “as vezes a gente precisa se perder para se encontrar” . Agora, comecei a um life coaching, e isso esta me fazendo um bem enorme. Estou numa fase de “respira! fica calma! ta tudo bem.”

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    1. Nati Grazziotin

      Ai Camila! Sei bem o que é isso! Engraçado que se a gente não “conversa” achamos que as coisas só acontecem com a gente né? Andava numa fase bem complicada também, e o interessante foi que a partir do meu guarda-roupa (lotado e sem sentido) eu pude perceber o quanto eu estava perdida. Parar, se analisar e rever metas e prioridades fazem um bem enorme, sem dúvida! Espero que se encontre! Boa sorte prima! Um beijão 😉

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  2. greice parnow

    Linda Reflexão <3

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    1. Nati Grazziotin

      Obrigada Greice! Acredito que esse assunto vai render muitas reflexões ainda. Um beijo querida!

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  3. Fernanda

    Adorei este post!! me identifiquei, Parabéns pelo niver! é o de repente 30 é de arrepiar… (achei q era só comigo, q estava em pirando nos 30, crise de ID heheh…) mas é muito bom tb, pois nos faz amadurecer e ver a vida de uma maneira tão diferente e tão melhor do que víamos antes, os valores são diferentes e isso nos deixa melhor com nós mesmos. Mas o legal disso tudo é quando completamos 31!! haha nunca me senti tão bem, vc vai ver, vai adorar esta nova fase !! bjss

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    1. Nati Grazziotin

      Querida, Fernanda! Adorei o comentário! Eu achei que ia ser bem mais tranquilo, mas tenho mania de sempre me analisar, então imagina quando cheguei aos 30! Foi um turbilhão de pensamentos nessa cabecinha aqui 😉 O legal é a gente se sentir bem, né? Assim a vida fica muito mais fácil, e de quebra, feliz! Um beijo!

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  4. Carina

    É muito interessante quando conseguimos visualizar o guarda-roupa desta maneira. Eu acho que o fato de viajar bastante contribui muito para isso. É a vida que cabe em uma mala. Um sapato que combina com várias roupas diferentes. Sempre comento com meus alunos que considero isso uma maturidade na moda. É quando sabemos do que gostamos, o que nos veste bem e como conseguimos compor as peças. Talvez outra grande contribuição seja se encontrar dentro do próprio corpo. Acho que quando isso acontece, nossas relações de bonito e feio perdem um pouco o sentido e conseguimos nos vestir com base no que somos.
    Parabéns pelos trintão e por esse texto inspirador!
    Carina

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    1. Nati Grazziotin

      Carina, você não sabe o quanto eu fico feliz com esse comentário! Estava muito frustada, de verdade! Bem como você escreveu, quando a gente se conhece percebe que não precisa de muito pra ser feliz, na moda e na vida! Obrigada de coração <3 Um beijo!

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  5. Ursula

    Lindo post. É realmente muito bom refletirmos sobre a nossa vida, a maturidade que adquirirmos… Isso nos faz perceber a importância das pequenas coisas, aquelas que realmente nos fazem bem e feliz. Adorei. Parabéns pelo aniversário!

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    1. Nati Grazziotin

      Obrigada Úrsula! Com certeza, fazer essa reflexão me fez enxergar quem eu sou de verdade e o que eu busco na vida. Esse autoconhecimento não tem preço! Um beijo, querida :)

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  6. Mariana

    Muito legal o texto! Orgulho se ti

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    1. Nati Grazziotin

      Brigada maninha! Morro de orgulho de ti também <3

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  7. Elisandra Assunção

    Que perfeita consciência para um mundo (interior) melhor!
    Parabéns pelo texto e pelas mudanças!
    Bjs.

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    1. Nati Grazziotin

      Que bom ler isso, Elisandra!
      Brigada de coração 😉

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  8. Rafaela

    Parabéns Natália! Um consumo consciente seja de roupas, sapatos, bolsas, jóias, faz um mundo mais equilibrado. Afinal, o meio ambiente também sofre com tudo isso! Tenho certeza que grande parte das blogueiras de moda não utilizam 1/3 das roupas que postam, ao longo dos meses. Desde a fabricação até o destino final, tem impacto direto e indireto com a água, o solo , fauna e flora. Foi muito maduro da tua parte perceber isso. Todo mundo deveria repensar! Foi ótimo você compartilhar. Vou te acompanhar pelo blog novo;) Beijos e sucesso!

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    1. Nati Grazziotin

      Super concordo contigo Rafaela! A gente não se dá conta do tamanho impacto no meio ambiente que o nosso consumo provoca. E estou muito feliz com a minha decisão, de ter menos, e tentar assim conscientizar mais pessoas a fazerem o mesmo. Porque é tão bom! Quero colocar o novo blog no ar em setembro, sabe como são essas coisas, levam um tempinho. Mas prometo que vai valer a pena! Um beijo, Nati

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  9. Deni Giordano

    Nati, querida… também venho buscando isso desde… bem, os meus 30 anos. Aliás, aos 30 minha vida mudou totalmente. Mudei de país por dois anos, voltei com outros focos e com ideias diferentes sobre a vida. Me simplifiquei, digamos. E isso continua em construção. Ainda sofro com o desapego, mas tento definitivamente TER menos e SER mais. Parabéns pelo blog, pelos textos, pela mudança. Admiro muito teu crescimento, e o ser humano que és. Beijo grande!

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    1. Nati Grazziotin

      Simplificar é maravilhoso, né Deni? Dá uma leveza na vida, deixa as coisas menos complicadas. E é só a gente querer!
      Nesse nosso mundo, com tantas “ofertas” se perder nessa leva é tentador mesmo, mas como você disse, é uma construção.
      Obrigada querida! Também te admiro muito! Beijo, beijo!

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  10. Eidinea

    Nati,minha querida e linda sobrinha…Fazer 30 assusta um pouquinho ,mas tenha certeza,o bom da vida sempre está por vir.Mesmo as fases difíceis,tudo vai somando,vai nos tornando mais fortes e ,com certeza,sendo rodeados por coisas boas que vamos cultivando,conseguimos superar os momentos ruins…Hoje vi o filme maravilhoso ,o “O curioso caso de Benjamin Burton”,que nos faz refletir sobre o envelhecer. E,como é bom também poder envelhecer. Não pensar só nas marcas que o tempo deixa em nosso rosto, na nossa pele e músculos ,que vão ficando mais flácidos, mas,em tudo o que vivemos e,o mais importante,em todas as relações humanas que desenvolvemos. Tenha certeza,tuas decisões e pensamentos são sinais de amadurecimento.Parabens . Eu ,e todos que te amamos,sempre soubemos que vc se transformaria nesta linda mulher.Que venham os 40,50,60…cada vez mais forte!!!!

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    1. Nati Grazziotin

      Esse filme é muito bom mesmo tia Neia! Nos faz refletir sobre essa questão delicada e natural da vida que é o envelhecimento. Outro filme muito bom a respeito é “A incrível história de Adaline”. No fim do filme a gente agradece por ter a possibilidade de envelhecer 😉 Obrigada pelo lindo comentário! E que venham os anos! Um beijo, estou com saudades!

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  11. Fabiola

    Texto muito bem escrito e reflexivo. Realmente o amadurecimento vem com novas abordagens. Beijo grande.

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    1. Nati Grazziotin

      Obrigada, de coração Fabi! Estou aprendendo muito com esse nova forma de ver as coisas. Beijos!

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  12. Gisiele

    Reflexão incrível!
    Perder o estilo pessoal por modismo não vale a pena mesmo.
    Gosto muito do teu e blog e me inspiro muito nele.
    Parabéns pelos 30 anos.
    Um beijo

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    1. Nati Grazziotin

      Que comentário fofo! Obrigada Gisiele 😉
      Não vale a pena mesmo! Um beijão

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  13. Muri Zimmer

    Só me resta dizer: UAU!

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    1. Nati Grazziotin

      hahaha! Obrigada, Muri 😉

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  14. Gabi Lunardelli

    Oii Nati. Te acompanho aqui e no instagram faz uns 7 meses, desde a minha vinda pro Canada. Te procurei, pedi dicas e você sempre querida, me ajudou muito. Adoro seu blog, seus textos, suas fotos, sua simplicidade. Adorei o texto! Arrasou! E Parabéns pelos 30 que está te fazendo muito bem, muito mais linda! Um beijo! Sucesso!

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    1. Nati Grazziotin

      Que comentário fofo, Gabi! Eu amo compartilhar minhas experiências, sempre foi com muito prazer!
      Obrigada por me acompanhar, fico muito feliz em ter leitores tão queridos! Um beijão!

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  15. Camila

    Nati, que incrível este post, não tinha lido ainda. Eu estou nesta “fase” a uns 2 anos. Ao menos tentado, então sempre procuro pensar que tudo o que preciso de roupas te que caber em uma mala e com ela eu tenho que ir para qualquer lugar. Este ano não comprei praticamente nada. Apenas 2 vestidos pq era madrinha e as noivas escolheram a cor, se não iria repetir aquele q sempre uso! E estou mto feliz, pq sei q aquela calça q eu jamais usaria e iria correndo comprar outra agora vai ser mto útil e que meu dinheiro serve para algo maior, como viajar, pagar minha pós que sempre quis e sem depender de pai, mãe nem ninguém. E viver leve e sem se preocupar se irão me olhar e pensar q estou sempre com a mesma roupa(isso quando vou a PF pq em São Paulo isso não existe)! Mas, nem sempre é fácil é um exercício diário. Louca para ver o novo blog! Beijão

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    1. Nati Grazziotin

      Gostei que você colocou “fase” com aspas, Camila. Também acredito que esse tipo de pensamento é uma forma de viver, e sinceramente, não vejo mais sentido em viver de outra forma, não quero mais “ter que ter” nada, sabe? Cada um sabe o que é importante pra si, e quero, cada vez mais, ter menos tralha e mais experiências, conhecimento, como você falou. Perceber isso dá uma sensação muito boa, né? Boa sorte na sua caminhada. Vamos poder conversar bastante sobre no blog que estou produzindo. Esse assunto rende muito! Um beijão querida!

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